23/Jan/2008
22/Jan/2008
Listas
Listas.
Mentalmente faço listas. Não me atrevo a escrevê-las porque me poderia assustar com as palavras "vivas" e prefiro ficar nesta pseudo - ignorância.
Lista do que sou e do que queria ser. É longa a que queria ser. É clara. E parece-me longe do que realmente sou. Perdi o fio à meada e já não sei quem sou. Não me reconheço, nem sei quem era aquela Ana há dois anos. Surpreende-me que um instante mude tudo e sinto uma angústia terrível perante o futuro. Nada me alegra e entusiasma. Vejo-me, como tantas outras vezes, neste buraco e não sei que fazer para sair dele. Todas as soluções que vejo parecem-me inúteis porque não são definitivas, apenas temporárias e se é para voltar aqui, então prefiro não fazer nada. Em boa consciência já não consigo tomar uma atitude, sabendo que mais tarde ou mais cedo voltarei aqui... aqui onde o sol não brilha, onde o vento não refresca, onde a agua não purifica, onde as vozes daqueles que amamos não chegam. É escuro, frio e solitário e jurei para mim mesma nunca mais cá voltar. Estou aqui e parece-me que estou igual a sempre, que não mudei nada e que nada mudou.
Sinto-me uma fraude, uma verdadeira mentira. Que espécie de profissional quero ser se nem consigo resolver os meus problemas, se tudo me parece negro e terrível? Olho à minha volta e acho que todos à sua maneira conseguem fazer com que a sua vida resulte. A minha parece parada no tempo, à espera que eu aja, mas parece que tudo o que faça não é suficiente e me arrasta para o sítio que eu desejo sair.
Os dias passam e dou por mim a viver uma alucinação estúpida. Não consigo pensar, descansar, sorrir, estar com outros. Penso em ligar para este ou aquele e a única coisa que realmente faço é ficar com o telemóvel na mão. Lembro-me... de quando tudo era mais fácil e me sentia como nunca antes tinha sentido. Havia tempo para tudo, até (?) para ser feliz. Agora parece que os dias se arrastam, com o único propósito de o amanha não chegar, mas o de hoje passar depressa. Não há objectivos, desejos, antecipações queridas, apenas que não consiga sentir mais, porque estou cansada e farta, já não sei que fazer, nem tão pouco a quem me virar. Tudo me parece inútil e detesto ter que me levantar da cama. Detesto ter que me deitar, detesto tudo, até mim mesma (jurei não sentir mais, mas pela boca morre o peixe...).
Dói, mas não queria.
Sinto, mas não queria.
Os dias passam e eu aqui.
Talvez se estejam a rir, melhor do que eu estão de certeza. Amanhã é dia de trabalho e só desejo que não me falem, nem me chateiem, mas o mundo não para simplesmente porque estamos a morrer por dentro (?!). O mundo nunca para, seja pelo que for!
Listas.
Do que quero fazer e do que faço. As duas estão longe uma da outra, mas posso dizer que este blog se insere na lista do que quero fazer.
Vou deixar de escrever aqui, vou-me embora deste "endereço de ideias" porque estas ideias não são o que queria que fossem. Tinha planos diferentes para este blog. Li uma vez no blog "Bitaites" as regras para um bom blog. Acho que não segui nenhuma (lol). Este "endereço de ideias" está-se a tornar demasiado pessoal, tanto que é um espaço só para mim, não havendo espaço para uma comunicação entre quem lê e quem escreve (era este o meu objectivo).
Continuarei a escrever noutro lugar (mais pormenores depois, noutro dia), mas diferente daqui. Continuarei a escrever para mim, podendo mostrar a outros (especiais), mas já não "publicando".
O meu limite chegou e não sei bem o que isso significa, apenas que este blog acabou.
Obrigada a quem me seguiu até aqui.
19/Jan/2008
Sábado, 17:20
Sábado, 17:20.
Tenho passado os dias meia zonza. Tenho pensado sobre muita coisa e não chego a conclusão nenhuma a não ser...
A única certeza na vida é que não há certezas. Costumo dizer que as únicas certezas que tenho são momentâneas, porque agora sinto, penso e sei isto, mas amanha já sei, penso e sei aquilo.
Quanto mais vivo, menos sei. Às vezes, na minha santa ignorância, acho que já vivi muito e é quando inchada estou pela minha pseudo - sabedoria que algo acontece e me confunde mais do que já estava (sem o saber, o que não deixa de ser extraordinário).
Mas isto tudo são aspectos racionais, nada disto importa. Pode levar a uns sorrisos, a uns risos até, mas acaba por não ser nada (salvo seja).
Os sentimentos é que valem a pena, porque são eles que nos mostram quem somos e para onde queremos ir. Eu sempre soube para onde quis ir, mas raramente soube quem fui, sou, serei. Porque também isso muda, não havendo uma cristalização (se a há é mau sinal). Mas para quem é controlador como eu (admito-o, já não o escondo, porque acho que é demasiado evidente) o que não é controlável é difícil de lidar, ou seja, tenho dificuldade em lidar comigo mesma, em saber com o que contar (acho sempre que sei, mas o que eu sei é porra nenhuma).
Admito, também, que tenho dificuldade em lidar com o que sinto - se é porque é algum sentimento positivo é porque é positivo, se é um sentimento negativo, é porque é um sentimento negativo. Pode-se dizer que é uma falha minha, mas cada vez menos tento pensar nisso, embora às vezes seja complicado, já que a vida escarrapacha isso mesmo... como na quinta-feira. Entende (entenda?) não era contra ti que estava zangada, apesar de magoada por não me estares (estar?) a ouvir e a consolar (não sei se é essa ou não a tua (sua?) função, mas era o que precisava na altura), eu estava era zangada comigo mesma por não me ter percebido mais cedo e assustada porque não soube o que fazer. Ainda não sei o que fazer! Quer dizer, o que faço com isto que sinto? O que faço com esta solidão terrível que se instala há mais de dois anos em mim e que por mais que tente (começo a ficar desesperada e muito preocupada) não consigo resolvê-la? Que faço com as saudades de quem já não está ao pé de mim, mas que nem pode estar e portanto fico eu e esta saudade que me corrói? Que faço com o sentimento de desespero de me ter perdido naquele momento e sentir que já não serei aquela Ana que fui e que gostava de ser? Tu (você?) não percebeste (percebeu?) nada!!! Eu não estava a fugir, simplesmente estava a aperceber-me de tudo isto e como é normal fiquei assustada e aterrorizada. E enquanto isto acontecia parecia que em vez de me deixares (deixar?) estar ou até ajudares (ajudar?), só querias que enfiasse a cara de chofre em tudo isto. NÃO PODE SER: EU TENHO O MEU RITMO; RESPEITA-O!!!
Enfim, do mal, o menos... estou dilacerada e destruída, sim. Mas recupero, como sempre recuperei, como sempre recupero, como sempre recuperarei. Olha... queres ver que isto é uma daquelas certezas momentâneas?...
17/Jan/2008
Dilacerada
Nem sei como começar.
Hoje senti-me destruída. Agora sinto-me destruída. Não há nada que eu possa fazer para apagar esta dor porque por mais que não queria admitir tenho que a enfrentar.
Não esperava viver contigo (consigo?) um momento daqueles. Senti-me dilacerada, atravessada por uma lança cheia de picos.
Fico bloqueada, congelada, surpresa em situações destas. Não devia, porque já passei por elas muitas vezes, mas parece que a última é sempre a primeira e dói sempre como se fosse ingénua e não soubesse que isto poderia acontecer.
Não esperava isto de ti (você?) porque confiava que ali estava protegida.
Mas não estou, pelo menos não me tenho sentido assim.
Sinto que a todo o momento tenho que me proteger, justificar-me perante ti (si?), embelezar-me e mostrar-te (lhe?) que valho algo. Mas em momentos como este sinto-me idiota por ter acreditado, por achar que vale a pena, que eu posso confiar.
Ali não quis chorar. Não. Só quis ir embora porque doía tanto que não aguentei ficar ali, não te (lhe?) queria explicar mais nada porque te (lhe?) tinha tentado explicar isso antes. Não ouviste (ouviu?), não percebeste (percebeu?).
Apeteceu-me chorar enquanto descia as escadas.
Mas não chorei.
Apeteceu-me chorar quando abri a porta da rua.
Mas não chorei.
Apeteceu-me chorar quando estava na rua e o vento agredia a minha face.
Mas não chorei.
Apeteceu-me chorar quando cheguei ao pé do G.
Mas não chorei.
Apeteceu-me chorar quando estava em casa sozinha,
e timidamente chorei.
Não me ouviste,
Não me compreendeste,
Não percebeste,
e por isso desisti...
desisti de ti, de mim, de nós.
E agora?
I'm traveling from coast to coast
My theory isn't perfect but it's close
I'm almost there why should I care
My heart is hurting when I share
Someone open up and let it show
Oh, you don't form in the wet sand
You don't form at all
Woah, you don't form in the wet sand
I do, yeah...
15/Jan/2008
Confusão (sim outra vez)
Há dias assim.
Muitos.
Em que se quer dizer muito, mas tudo o que sai é nada.
Sentimo-nos estranhos no próprio corpo e na vida, sem conseguir expressar o que realmente queremos, porque por incrível que pareça queremos tudo, menos isto, só não sabemos o quê.
Estou meia estonteada.
Não sei que diga, que faça, que pense.
Dou voltas à cabeça de forma a perceber se consigo desvendar o segredo, mas não consigo.
Talvez estejam bem, talvez não.
Ainda bem que cada parte seguiu o seu caminho e que eu já não tenha que aturar nada do que não queria.
Às vezes é difícil ser-se assertivo, mas não é impossível.
Podemos perder aquilo que julgamos indispensável, mas que na verdade era dispensável.
Apetece-me pensar em ti, dar-te a mão para que possamos (finalmente) dançar.
08/Jan/2008
Semelhanças, diferenças e nós
É sempre bom que alguém por quem temos consideração tenha a mesma opinião que nós. Desta vez o assunto refere-se a Obama e a opinião é do jornalista João Miguel Tavares do (pelo menos) Diário de Noticias.
A certa altura da sua crónica João escreve: "A intervenção de Obama após os caucus de dia 3 (é fácil de encontrar no YouTube) é dos melhores discursos que ouvi na vida, sobretudo porque numa época completamente enjoada da política e dos políticos e, num pais esmagado pela incompetência de George W. Bush, Barack é uma injecção de optimismo capaz de empurrar para as mesas de voto mesmo quem tinha jurado não voltar a sair de casa. Os cínicos dirão que ele é apenas profissional e fotogénico (...). Mas Obama é mesmo o político americano mais entusiasmante das últimas décadas, e só um cego o pode reduzir a uma construção engenhosa para tempos mediáticos. Bem pelo contrário: tudo nele parece genuíno (...)".
Bom bom mesmo é quando alguém consegue dizer, escrever, expressar aquilo que nós pensamos e sentimos. Sobre este assunto mais nada tenho a dizer/escrever.
***
Quando aos 15/16 anos estava no consultório e a chorar, disse "quem me dera não ter este dom porque sofro muito com ele" não viria a pensar (nunca nessa altura) que o mesmo dom é hoje o bem mais precioso que tenho. É engraçado como fazemos as pazes connosco próprios e a partir daí conseguimos tirar prazer e até outro tipo de benefícios de aspectos que em alguma altura da vida não eram vistos como positivos. O meu dom é precioso, não o quero perder. Às vezes é complicado, mas tem tudo a ver com o aprender mais sobre nós próprios e sobre o mundo de forma a conseguir conciliar tudo e tirar o máximo proveito da vida! O meu dom permite-me compreender o outro facilmente, tanto que às vezes numa discussão tenho dificuldade em sentir que tenho direito a sentir o que sinto ou a exigir o que acho que tenho direito porque percebo (às vezes demais) perfeitamente o outro lado, tanto que se fosse essa pessoa faria o mesmo que ela faz! É complicado não perder a cabeça, mas com calma tudo se faz. O meu dom é precioso sobretudo na minha profissão, em que conseguir colocar-me no lugar do outro é algo indispensável... por isso agradeço a quem for que tenha que a agradecer o dom que tenho!
***
Às vezes as relações que temos, seja de que teor for, não são o que pensamos que poderia ser, não são o que desejaríamos, não são o que precisaríamos. Mas apesar disso elas são isso tudo e a nós só nos resta aceitar ou cortar com a relação. Nenhuma das decisões é fácil, porque se cortamos com a relação perdemos o que dela tínhamos, mas por outro lado se ficamos, ficamos em boa consciência que não teremos o que queríamos inicialmente. Daí podemos também seguir outro caminho - reformular os nosso objectivos e sonhos e tal não ser um erro, apenas uma adaptação, um reajuste! Também com essa decisão podemos tentar "ignorar" o mau, salvando o bom (um quase sobrevalorizar). Não é fácil, porque há momentos em que queremos é que o bom se lixe e queremos que o mau desapareça mesmo. Mas infelizmente não desaparece e cabe-nos a nós tomar decisões. Sobretudo é necessário que sejamos sinceros porque mentir-se ao próprio é um passe livre para a asneira e infelicidade.
É claro que há pessoas que seguem a via do "deixa andar". Eu nem considerei isso decisão porque na verdade não a considero como tal, ela é apenas uma atitude cobarde (digam-me o que disserem, seja qual for o contexto nada justifica isso porque ninguém ganha nada). Estas pessoas conformistas ficam na relação, mesmo ela sendo má, mas não aguentando (por vezes ou sempre, depende) discutem muito. Exigem aquilo que acham que têm direito, mas que de alguma maneira sabem que nunca vão ter e o outro lado discute também, acusando muito do mau ambiente vivido. Alguém ganha? Não! Então não empatem e andem com isso.
NOTA: por um problema do IOL não consigo receber comentários. A quem interessar (ou não) este é o meu e-mail da IOL:
06/Jan/2008
Saber o que fazer naquele momento
Quando alguém que não está habituado a chorar, chora ao pé de nós temos de ter muito cuidado. Temos... se quisermos que ela fique mais tempo do que um instante, se quisermos que ela confie em nós e saiba que da próxima vez poderá chorar e eventualmente começar a ter mais confiança um no outro. Apesar de para alguns ser difícil ajudar, pedir ajuda ainda é mais difícil. Assim, Mariana, quando timidamente choraste ao pé de mim senti-me sortudo, senti que tinha ganho mais do que aquela vez em que fomos gastar o dinheiro do Casino de Lisboa. Qualquer momento contigo é bem passado, mas admito que este foi especial.
Estavas tão tensa quando chegaste ao pé de mim que nem sabia se te devia tocar. O beijo rápido, como quem diz "já está", mas um abraço demorado, como quem diz "um pouco mais". Não falámos quase nada, perguntas a medo da minha parte, murmúrios da tua. Quando não estás bem, não estou bem. Quando choras fico preocupado, sem saber o que fazer ou dizer, porque sei... sei que tenho de ter cuidado, não quero que fujas, quero-te aqui ao meu lado.
Os animais são fantásticos... neste momento Tarik "chama" com a pata o casalinho, como quem diz "estou aqui e também vos apoio". Ambos sorriem.
Não há nada como um momento destes...
05/Jan/2008
Assuntos a mais para um só post
Às vezes tem-se muito para dizer e hoje é um desses dias. Não sei se me conseguirei exprimir correctamente ou se simplesmente vou complicar e sentir-me frustrada. Veremos...
(como obsessiva que sou vou dividir isto por assuntos)
Nº 1:
Estou cansada de ser boazinha e de me sacrificar, de ser prejudicada pelos outros. Lamento que todo este tempo me tenha interpretado mal e apontado o dedo a mim própria em assuntos delicados. Não acontecerá mais.
Disse sempre e até há bem pouco tempo era esse o meu discurso, que era uma pessoa fria, distante e que não sabia pedir ajuda. É MENTIRA. (porque às vezes é preferível agredirmo-nos a nós próprios do que aqueles que amamos, assim podemos perder o amor - próprio, mas não o amor deles). EU CONFIO, EU NÃO SOU DISTANTE E EU PEÇO AJUDA. Só tenho feito tudo isso com as pessoas erradas... e por tão magoada que tenho ficado (já estou um bocadito farta!) é que agora estou retraída (tal como os caracóis, ouriços caixeiros não porque esses picam e eu não pico, só me retraio). JÁ CHEGA! SAIAM DA MINHA VIDA, SUAS BESTAS QUADRADAS, vão para o raio que vos parta (ou então para um barco para a China... - private joke for my Furby!). O que vos dá o direito de me terem feito mal, magoarem-me imenso e ainda se pavonearem como se eu é que tivesse a culpa?!? Eu sei! Eu é que VOS dei esse direito. ACABOU. A partir de agora quero resolver o que tem que ser resolvido, gritar, chorar, lamentar, arrepender do que for preciso, para depois nunca mais pensar em vocês. O meu limite chegou e estou mesmo ao pé dele e vou respeitá-lo, tratando de mim, ouvindo-me e certificando-me que estou mais forte, mais sábia e mais generosa (não para os outros, porque isso já tenho de sobra) para mim mesma.
Com isto tudo dito (com letras maiúsculas e tudo, Chiça!) posso passar a outro assunto.
Nº 2:
Todos nós conhecemos pessoas passivo - agressivas. Não me vou debruçar sobre o diagnóstico psicológico, mas mais sobre o senso comum dessas pessoas (perdoem-me aqueles que julgavam que daqui ia sair algum tratado psicológico sobre este tipo de pessoas).
Sempre lidei com pessoas passivo - agressivas e por isso já as vos conhecendo bem. São cobardes. Não há muito mais a dizer a não ser as bestas que são para as pessoas que as rodeiam. Digo que são cobardes porque dizem o que sentem (geralmente coisas muito agressivas) de uma maneira que há primeira vista parece não ser nada, tão pouco algo agressivo ou um ataque. Mas é. Esse tipo de pessoas diz algo como isto "olá querida, tudo bem? Gosto imenso de ti, mas realmente às vezes podes ser uma grande vaca e só fazer merda. Será que não acertas em nada? O que se passa de errado contigo? Que paciência a minha para te tentar ajudar, não é?". Eu quase que rio da lata desta gente... mas resulta! Porque nós não esperamos, primeiro porque vem de alguém que amamos e respeitamos e depois porque a agressividade não nos atinge logo, sentimo-nos mal, sim, mas não percebemos porquê e ao pensar mais tarde na conversa - ou melhor monólogo, porque geralmente essas pessoas roubam TODO o espaço comunicacional - apercebemo-nos do que está errado. Em grande verdade... eles! De todos as evoluções que já fiz, do que me faltava fazer, do que já faço, do que me protegia (muito, mas pelas acções erradas) e do que protejo (finalmente aprendi a proteger-me pelas acções certas, nos momentos certos e com as pessoas certas) realmente com este tipo de pessoas ainda me custa defender e melhor do que isso atacar. Não sei porque é assim, porque me sinto sempre apanhada de surpresa sempre que acontece (foram tantos anos...). Acho sempre que não quero acreditar, que não é verdade, que isto não voltou a acontecer e que eu realmente não mereço lidar com estas bestas outra vez. Mas ali estou eu... a ouvir, a perceber e de certa forma a concordar. Porque não digo nada, quase que digo "tens razão". Tenho medo. Mesmo quando a pessoa me magoou imenso, mesmo quando digo "és besta", mesmo quando não quero mais. Mas quero que isso mude, porque se não mudar repetirei os mesmos padrões para toda a minha vida e agora sei que estou pronta para que tal não se repita. Enquanto que vocês apodrecem eu junto os pedacinhos que deixei que outros quebrassem... mas tenho-me a mim mesma, que é mais do que vocês podem dizer de vocês próprios. AVANTE!
Nº 3:
A relação entre pais e filhos não é fácil e não é suposto ser. Tal como há tempo para carinhos, mimos, beijinhos e abraços, também há tempo para brigas, desavenças, gritos e choros. É assim mesmo e não há que temer isso. Infelizmente os pais têm a infeliz (ou feliz, depende da pessoa...) tarefa de educar os filhos e quando nós vimos ao mundo a única coisa que queremos é ser TOTALMENTE atendidos. Cabe aos pais mostrar que vivemos num mundo, numa sociedade e que não somos príncipes de nada... aprender o que é respeito, carinho, amor, lutar pelo que se quer, frustração e tristeza, tudo pode ser doloroso de aprender, mas tem de ser assim. Infelizmente há pais que não sabem cumprir a sua tarefa, esquecem-se ou querem-se esquecer e depois as criancinhas irritantes tornam-se adultos insuportáveis. Não pode ser!
A minha relação com os meus pais foi tudo menos pacífica, mas do mal o menos porque hoje é pacifica. Foi um longo caminho, mas por mais incrível que pareça (e esta eu NÃO esperava mesmo) mudámos. Todos. Em conjunto. Separados. Unidos. Foram anos complicados, mas agora em casa respira-se. Ri-se. Comemora-se . Aprecia-se a companhia uns dos outros. Agradecemos. Amamos. Tudo e mais alguma coisa. É bom!
Depois de tantos anos vejo as pessoas por detrás dos meus pais... o homem sacrificador, trabalhador, corajoso, líder, amigo, inteligente e compreensivo que é o meu pai. A mulher doce, gentil, enternecedora, sacrificadora, calma, compreensiva e amiga que é a minha mãe. As pessoas por detrás do papel de pais percebem? Não é fácil, mas é possível.
E no outro dia sorrimos todos juntos quando... quando disse "sabes avó, eu não estou preocupada com o meu futuro. Tirei o melhor de dois mundos... a doçura e compreensão da minha mãe e o «olho para o negócio» e inteligência do meu pai. Não há quem me pare!". A minha avó sorriu, o meu pai sorriu, a minha mãe também sorriu (choramingou ainda) e eu sorri porque lhes mostrei que está tudo bem, que estou onde sempre quis estar e que não precisam de se preocupar mais. Foi um bom momento.
Nº4, 5 e 6:
Não são assuntos pessoais, como os anteriores, mas dei por mim a pensar neles. Não vou fazer nenhum tratado sobre eles, apenas escrever um pouco sobre cada um, colocando questões (ou não).
Nº4:
Obama ganhou no Iowa. Todos surpreendidos... pois. Está bem. Eu se fosse americana também votava no Obama, mas como não sou a minha opinião vale o que vale. E porque votaria nele? Porque me dá mais confiança, parece ser a melhor opção entre os outros todos. Vou admitir que não tenho mais razão nenhuma - é um bocado estúpido, sim, mas estou a ser sincera e ficaríamos todos espantados se soubéssemos que a maioria dos votos é feito porque se "gosta" mais, porque se acha que aquele é melhor. Foi assim com o Sócrates e agora é o que se vê... Quem anda todo contente com esta histeria pelas eleições nos EUA é o Bush, de quem as atenções estam desviadas e dessa maneira ele pode fazer asneiras há vontade... AVANTE.
Nº 5:
(por esta altura já está tudo cansado)
O presidente da ASAE foi apanhado a fumar no casino na madrugada de 1 de Janeiro. Alguém esperava outra coisa? Pois, bem me parecia... é o país que temos, que pobreza!
Nº 6:
O Dakar foi cancelado supostamente por ameaças terroristas. E pronto, tudo a meter as mãos à cabeça porque ou perdem dinheiro, ou perdem afluência de pessoas ou então perdem-se sonhos... é pena! Mas à porta fechada já se diz que se o Dakar fosse em França isto não aconteceria e que é vingança. Será mesmo? Espero que não, espero que isso seja boatos de pessoas que não percebem nada do assunto e que realmente querem proteger os envolvidos no Dakar... esperemos isso...
E pronto... acabou por hoje, amanhã há mais, mas agradeço desde já a quem tenha chegado até aqui!
02/Jan/2008
A minha idade dos porquês nunca passou...
A minha idade dos porquês nunca passou. Os porquês foram evoluindo e passaram de "porque é que o céu é azul" para "porque é que as pessoas insistem em ser más umas para as outras?". O que numa certa idade é saudável porque mostra a motivação para o conhecimento do mundo e também definir aquilo que mais gostamos e menos gostamos, noutra idade pode tornar-se cruel. Apenas para nós, os outros não sofrem. Os porquês tornam-se obsessivos e em vez de avançarmos ficamos para trás, porque muitas vezes os porquês explicam (e complicam) o passado.
Estou a ler um livro fantástico (que tentei colocar aqui no meu blog, ao lado dos posts recentes e do blogroll, mas isso não correu lá muito bem...) que tem como titulo "Bem - aventurados... os que ousam!" de Isabel Abecassis Empis. Já tinha ouvido falar nesta psicoterapeuta/escritora quando li há uns meses uma entrevista dela à "Sábado" na qual o título de abertura à entrevista era "Tenho pena do Freud". Achei piada porque numa época em que quem se oponha aos grandes (escritores, pensadores, jornalistas, filósofos, cientistas, médicos, enfim, GRANDES) pode ser duramente criticada foi refrescante assitir a uma que não tivesse medo dos grandes. O facto de alguém admitir algo tão forte numa entrevista captou a minha atenção. Fiquei com a revista (como faço com tantas outras, já não há espaço para tantos livros, revistas, jornais importantes) de modo a poder um dia pesquisar sobre esta psicoterapeuta tão refrescante. Gosto (a sério que sim, não estou a dar graxa, até porque ela não me conhece) de pessoas assim. Com vigor, energia, independentes e sobretudo corajosas! O livro é igualmente interessante e tem aspectos velhos, mas novos! Explico melhor. Diz coisas que todos já em algum momento sentimos, mas que se calhar não soubemos expressar tão assertivamente ou que não tivéssemos tido coragem de expressar (este mundo é terrível para os pensadores independentes).
Um dos capítulos ("Os porquês e para quês", p. 126) interessantemente refere-se a esta questão dos "porquês". Por graça (ou não) estou numa altura um pouco complicada para mim em que ponho muita coisa em causa e pergunto muito "porquê?". O início deste capítulo é delicioso com uma pequena narrativa da história de várias pessoas e de todos os "porquês" que podem existir. No fim de tantos porquês estamos cansados, confusos e até fartos porque se perde o fio à meada. E é também assim na vida real. Às vezes temos de perguntar o crucial "porquê", nem que seja como defesa nossa para dar tempo e coragem para enfrentar o que vem aí... mas se continuarmos muito nesses "porquês" perdemos tempo. Tempo precioso, pois estaremos a empatar, a vasculhar o nosso passado de forma a perceber o presente e com tanta preocupação com o passado o presente é esquecido e o que dói continua a doer (mesmo que não o admitamos) e uma ferida constante fica ali, sem tratamento adequado.
Como disse há pouco eu tive a minha dose de "porquês" e ainda tenho. Mas começo a ser mais rápida e a ter um timing mais certo, porque já não me prolongo tanto em questões de exploração do passado para perceber o presente (há pessoas que até pelo passado conseguem prever o futuro!!!). Cada vez mais quero perceber o presente para poder saborear cada momento. Dói muito, fico de rastos, mas continuo aqui, com esperança que um dia isto passe e possa voltar a ser quem já fui.
Lembro-me da amizade e de todo o apoio que julgava ter de vocês (mas que eu TINHA por vocês) ... às vezes é preciso levar um "murro" mesmo no estômago para perceber uma coisa: VOCÊS SÃO MERDA. Gosto do meu blog por isto... digo o que me apetecer a quem eu quiser!
Agora estou de rastos, sim. Não vos perdoo, não. Não há cá segundas oportunidades nem perspectivas de outrem. Há isto: compreensão para a minha própria pessoa e até valorização de quem sou. Eu tinha razão em nunca confiar em vocês... e eu sempre a achar que era eu a E.T. Mas se calhar até sou! Sou de um planeta onde as pessoas se respeitam, amam e compreendem. Sou de um planeta onde a calma existe e a existência do outro importa (não querendo isso dizer que é mais importante que a própria). Eu sou de um planeta onde o carinho é carinho, a amizade é amizade e o amor é amor. Não há confusões nem complicações e sobretudo não há intrigas merdosas.
Haja paciência para gente como vocês...
Moving on...
Right on...
Dancing right away...
01/Jan/2008
C'um catano
Não sei que se passa.
Reflicto.
Não me sinto eu e não sei o que isso pode ou não significar logo no 1º dia do ano.
C'um catano!
Não me ando a conseguir exprimir correctamente. Falo, escrevo, explico e no fim acho que está tudo bem. Passados uns momentos (há que dar aquele timing...) sinto que NÃO era nada daquilo que eu queria dizer e irrito-me. Que se passa comigo? Nunca fui assim!!!
No post "Modéstia, humildade e vaidade" confundi-me toda e não me consegui exprimir. No momento em que o publiquei pensei "não é bem isto, pois não?" mas depois pensei que não fazia diferença! FAZ mesmo. Apercebi-me disso quando li o comentário da minha Furby e pensei "já sei o que eu queria dizer!". O que eu queria mesmo dizer é que o autor do blog nunca disse que não tinha orgulho do seu blog, simplesmente acha que não é o melhor. E se calhar tem toda a razão, eu não sei porque eu só conheço alguns blogs e gosto daqueles que são muito sinceros e pessoais.
Em tantos outros assuntos notei esta falta de assertividade... não me vou especificar quais são esses assuntos, para aqui não interessam. Mas não deixo de pensar porque ando nesta confusão! Talvez perceba nestes próximos dias, afinal hoje é só o 1º dia do ano. Não há pressa!
Espero que a minha assertividade volte depressa e que não me equivoque mais...
Enfim...
C'um catano!

