A vida é uma loucura?
Os meus dias são por vezes recheados de loucura.
Não sei explicar muito bem e a não ser que tenham uma capacidade de empatia ou passem pelo mesmo não vão entender.
Acordo mal disposta e deito-me bem disposta. Passo de um registo para o outro e os pensamentos acompanham o humor, claro. Assim, se de manhã me pergunto que raio é que eu estou aqui a fazer, que não me apetece fazer nada, à noite já me considero uma sortuda e feliz pela vida que tenho. Hoje foi um desses dias.
As alegrias que a vida me tem proporcionado têm sido muitas. Em vários aspectos considero-me sortuda, pois tive acesso a situações, momentos e pessoas que muitos não podem ter.
Os dissabores que a vida me tem proporcionado têm sido também alguns. É complicado pensarmos nisso. Distanciamo-nos porque se os sentirmos realmente (como já sentimos uma vez) a dor volta e se lutámos tanto para a vencer é porque não a queremos de volta. Temos medo que ela volte, que nos apanhe de surpresa e por isso vivemos alerta...
Lembro-me dos meus 15 anos... que tempos terríveis, que tempos difíceis. Detestei a minha adolescência (ali por volta do secundário). Sentia-me todos os dias feia, ignorada, maltratada, humilhada, posta de parte e diferente. Os dias passavam numa agonia constante e eu nunca sabia o que fazer para que a dor fosse menor. Quando estamos tão em baixo, quando estamos tão sem esperança há hipóteses que se começam a formular... e enquanto outras miúdas de 15 anos pensavam em roupa, rapazes e bandas de música eu pensava em suicidar-me. Foram tempos horríveis porque nada fazia sentido e a cada dia que passava eu tinha a certeza que essa era a única solução! Não era claro! E se digo que sou sortuda foi porque tive acesso a ajuda profissional e embora nunca tenha sido fácil (desenterrar fantasmas nunca foi fácil) foi necessário. Após tantos anos de terapia comecei a sentir-me normal, integrada, bonita, querida e amada. E só após todos esses anos eu me consegui abrir o suficiente para a amizade. Enquanto a maioria das pessoas já tinha as suas amizades feitas (nunca é tarde demais para mais uma amizade, eu sei) eu não as tinha. Há tanto tempo que me fechava sobre mim mesma que me esquecera de o que era ser amiga e do que isso significava. Entretanto fui aprendendo e hoje sou mais feliz porque tenho tão bons amigos. Sem dúvida (acreditem no que vos digo, a sério) que os meus amigos são o meu rochedo, a minha bóia salva-vidas. Não tenho mais ninguém e sei que posso recorrer a todos vocês se estiver em baixo ou triste (e feliz também, graças a Deus). Assim quero que saibam que são todos importantes à sua maneira, que quando pensarem que a vossa vida pode ser inútil ela não o é porque a mim vocês me fazem falta... A vida é bela, mas é preciso ter amigos à altura.
Bom, se eu comecei tardiamente a abrir-me à amizade, então ao amor muito mais tarde. Esse é ainda um campo estranho e (um pouco) distante para mim. Sei que tenho medo de me entregar a alguém e por isso nunca amei ninguém. Tenho pena de o admitir, mas é verdade (sei que não estou sozinha, o que não falta é gente com medo de intimidade). Enfim... novos capítulos da minha vida estão por escrever, quem sabe se algures por ai não está um homem que me compreenda e ame a quem eu também possa amar e perceber...
Um beijo muito especial a todos os meus amigos =)
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